Polimento e cristalização: opções para conservar a pintura em bom estado
Chuva ácida cai, folhas e frutas despencam e aves miram seu carro. Com isso, manchas, riscos e opacidade transformam a pintura de sonho em pesadelo ambulante. O enceramento em casa é bem conhecido e em muitos casos recupera o brilho de outrora. Mas, para os que não podem ou literalmente não querem pôr a mão na massa, ou se a pintura estiver com leves danos, há algumas opções a recorrer. Entre elas, o polimento e a cristalização. E outras soluções vão surgindo.
A diferença maior entre o polimento profissional e o enceramento é a profundidade com que agem. ‘Cera é para dar brilho e proteção: tira o encardido e algum risco que seja superficial’, explica Gilberto Spinelli, proprietário da Moema Car. Risco superficial é o que não danificou o verniz.
Proteção mais prolongada e resultado mais bonito são obtidos com a cristalização. Essa usa produtos mais fortes e de aplicação exclusivamente profissional, sendo considerados ideais aqueles à base de flúor. Um serviço bem feito demora um dia e tem durabilidade estimada de seis meses.
Na Moema Car, o serviço varia de R$ 180 a R$ 280, dependendo do tamanho do veículo, e inclui lavagem de motor, aplicação de gel protetor em borrachas e plásticos, lavagem das caixas de roda, espaços entre as portas, passagem de aspirador no interior, lavagem de carroceria, duas mãos de polimento e, por fim, a cristalização.
Novidade no mercado, a Carmaster oferece o Glare, alternativa à cristalização. O Glare é fabricado pela Autopolish, e tem como característica principal microesferas de vidro em sua fórmula. É aplicado em duas etapas e funciona como limpador, polidor e protetor.
Cristiano Viana Filho, proprietário da Carmaster, afirma que o produto dispensa o uso de outros, e deixa a pintura mais lisa, com mais brilho e resistência a abrasivos. ‘Você tem a impressão que, se uma mosca pousar, derrapa’, brinca. A aplicação dura de 3 a 8 horas, de acordo com o estado da pintura. Custa cerca de R$ 160 para carros médios e R$ 180 para grandes, preço que pode subir caso haja pequenos riscos, que devem ser retirados com polimento normal. A durabilidade do serviço é estimada em dois anos, tomando os cuidados necessários.
Para pinturas em bom estado, a DryTech oferece solução que limpa e dá brilho ao mesmo tempo, com durabilidade estimada de um mês. É uma lavagem ‘a seco’, aplicada por pano embebido no produto. Segundo Roberto Barallobre, proprietário da empresa, o serviço dura meia hora e não risca a pintura: ela agrega a sujeira em partículas maiores, que são removidas pelo mesmo pano. Na DryTech, os preços vão de R$ 15 (carros de passeio) a R$ 30. O serviço inclui limpeza e aspiração interior. Com cristalização, o proprietário paga entre R$ 90 e R$ 150.
Uma vantagem de serviços terceirizados sobre o enceramento comum é a uniformidade. Muitas casas do ramo usam politrizes, que podem garantir resultados mais vistosos. Polimento ainda mais uniforme é obtido pelas orbitais, que simulam o movimento do braço humano, mas em velocidade maior. Para evitar arranhões, verifique se a parte rotativa das máquinas está bem forrada com boinas de espuma.
Há uma série de cuidados, também válidos para os que não gostam de serviços terceirizados. Um deles é a imediata remoção de calcário, piche e resíduos de origem animal ou vegetal que porventura caiam na pintura, pois são altamente corrosivos. ‘Resina de árvore é um veneno’, diz Spinelli.
Para não pôr abaixo um serviço demorado, na lavagem utilize sempre água e produtos neutros, fazendo-a sempre de cima para baixo, pois a sujeira concentra-se mais nas partes inferiores do carro. Encere sempre por partes, nunca espalhando o produto pela carroceria inteira para depois removê-lo. Com isso, o resultado sai mais caprichado. Uma cristalização pode ultrapassar seis meses de vida útil.
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Texto: André Fiori
